Já é mais do que um hábito sentir sua falta. Já existe uma parte de mim que é encarregada desta função somente e, apesar de você nem desconfiar, falo de meu coração. Te ver, seja de modo tangível ou simplesmente imaginário, o faz pular e rodopiar, tão ferozmente que chega a doer em meu peito, como se ele pudesse sair. Mas esta dor é boa, é que te sinto tão real e tão perto de mim, e ainda que toda essa agitação comprima meus pulmões e me impeça de respirar, tudo bem, eu daria todos os ares para fazer perdurar o motivo de essa sensação vir.
   A princípio, era angustiante, não te ter ao alcance de minha visão a todo momento. Contudo, o tempo, em sua dócil habilidade de destruir, trouxe-me consolação e eu simplesmente aprendi a esperar, a aguardar pacientemente sua tão breve companhia. Na verdade, acho que o tempo apenas me deu conformidade e obrigou-me a abrigá-la em mim, pois quem ensinou-me a esperar, a esperar por você, foi você mesmo, ainda que não o saiba.
   Às vezes, essa agonia que eu sentia no início volta, queimando-me por dentro, mas não se demora muito, logo me reconstituo. Porém, sua ausência nunca fora tão insuportável como está sendo agora. Nunca ardera tanto, de forma que me assustasse, como arde e assombra agora… E esta é só mais uma das coisas que eu sinto, sem conseguir explicar, sem conseguir entender, sem conseguir evitar.
   E eu sinto sua falta. E é isso o que eu sinto de mais verdadeiro, e eu sinto tanto…

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Ano Três