quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Todos os dias, eu penso em você e em como esse mundo é louco. Eu não tento mais evitar a saudade, deixo vir todas as lembranças que quiserem vir, e não lhe ver dói muito. Eu sei que não, mas sinto que se eu correr rápido, eu posso lhe alcançar; que se eu procurar direito, eu vou encontrar você.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Deitada como num sono de paz
A morte fria lhe soprou
Cortando-lhe os roncos sem lhe fechar os olhos
Pergunto-me onde estavam os meus pensamentos
Ela estava ao meu lado
Talvez, se eu tivesse acordado
Ela ainda estaria aqui

quinta-feira, 31 de março de 2016

É tímido o agradecer, e quieto o bastante para não fazer notar o desesperado objetivo de findar as interações coercitivas oriundas dos educados votos de mal conhecidos. Aniversários são solitários e seria bom não pensar muito. Seria, na verdade, razoável esclarecer o pranto desta tarde (por que sempre fico entristecida nessa época?), mas o abraço desse silêncio impositivo soa confortavelmente mais importante, enquanto o pressiono contra a sua cintura - e todos os momentos que o fariam coerente preenchem o íntimo desse pranto, sem, no entanto, serem suficientes para justificá-lo.

quarta-feira, 23 de março de 2016

II

Pende um grito de ajuda o cinza daqueles olhos diante do vazio da multidão. A boca seca, no entanto, não obedece àquele que sequer conhece o próprio âmago que, abstrato, insiste em deturpar a visão de si em uma plenitude mentirosa e inalcançável.
Porque, erguendo-se de costas sobre o que poderia ser um vislumbre indeciso de vontade, de prazer, à censura permitiu que lhe fizesse seu fantoche, cujo fado seria a eterna busca pelo próprio ser nos remotos horizontes de outrem. Nunca, pois, nos arredores de si - o karma de jamais se ter, a angústica de nunca sentir.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

I

Meu amor, você e eu
Somos uma poesia
E todos os nossos versos
Só possuem rimas ricas.

Meu amor, aos quinze anos
Sonhei que te conhecia
Mas, só, seguia contando
Dos poemas os seus metros.

Meu amor me devolveu
A graça das redondilhas
Essas, que eu já nem sabia
Se ainda as teria perto,
E aquelas todas que, um dia,
Já cantavam como certo
Esse todo meu amor,
O amor que eu já o prometia

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Este riso fácil que te ri
e que por horas trinca de desejo
e morde-te o queixo
prevê no doce deste zelo, nosso enleio,
o deleite desmedido deste harmônico sentir

Hoje, o teu corpo estatelado, fatigado
será, do dia, a poesia; os teus braços
hão de afastar-me das coisas feias dessa vida,
do desamor do momento em que não o conhecia.

Não acompanha a minha vertigem tímida
os teus inopinos lampejos
Sujeito-me, a qualquer momento, a um devaneio
de, para sempre, querer ser o teu amor...
Os teus receios, em segredo,
deixam-me cá à deriva
com teu ser amor
fazendo-nos, plenos,
poesia

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Will you find my tiny love?
Can you take it far above?
Are you gonna make me care
Even when I am afraid?

Will you wrap my brittle love?
I wanna know if you may not
just gobble my silly love
when holding it with tender arms

Are you the one who'll bring the joy
of denuding my messy love?
Will you save it or will you run
by meeting my grubby love?

Oh, this finicky and ninny, this deep love of mine,
what have ever made it so naive?
Sing me sweet, mild lullabies,
And you may get my smoothy love.