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Mostrando postagens de Abril, 2012
Às vezes eu não sinto nada - devo confessar. Torno-me inexorável, demais, indiferente às possibilidades, ao abandono, a este circo de putaria no qual eu, desavisada, adentrei; a tudo, em suma, à exceção da indiferença própria. Mais tarde eu sei que olharei com angústia esta frígida transmutada, com raiva de querer raiva, com pressa em repudiá-la; com medo de não ter mais medo e medo de viver com medo (poderei saber ?). Conheço-me neste ciclo. Pressinto o vazio que o encerra e a agonia da consciência que ainda em mim está vaga. Vontade de...? Falta algo. É sem querer que vivo, mas vivo sem. Que sou eu, meu Deus ?
Vem, meu divisor de águas;
vem, que pra sempre eu te espero.
Vem, meu dispensar palavras,
vem ensinar-me mistério.

Vem, que eu não posso mais
despertar saudosa assim.
Corre, que eu não tenho paz
quando estás longe de mim.

Vem, meu orgânico querer,
minha saudade muda
(de mudeza pré-ativa).
Vem que estou a perceber
como quero ser só tua,
como podes ser meu guia.

Vem, salva-me das miragens,
e sendo longa a viagem,
uma vez que chegas, fica.
Você reveste tão perfeitamente toda esta paixão e toda esta saudade....
Não posso escrever agora. Não consigo ajeitar-me na prosa, no verso... Na escrita, enfim. Consigo apenas ajeitar-me em você, sim. Pensar nas lembranças que não vão me deixar sã tão cedo. Não é possível concentrar-me em nada mais....
E tudo, tudo, de qualquer maneira, jamais será o que você merece.
Bom dia, à luta perdida - era importante.
Bom dia a quem perdeu as forças para forcejar...
Bom dia aos déspotas da felicidade, bom dia !

Velho marinheiro, sem barco e sem mar...
 Bom dia. Eu não deixei nada inacabado na última noite.

Admita o clichê de ter-se encontrado em meio a uma multidão sentindo-se, todavia, sozinho. É fato, é humano. Não creio na necessidade de possuir uma pessoa - uma pessoa simplesmente, pode ser qualquer uma. A importância deve ser dada à maneira de cuidar, à ternura proveniente da essência do ser, tantas e tantas vezes frustrada pois, deste "ser", poucos, de fato, "são".
   Pactuando, há a insatisfação: insaciedade gerada pelo "não ser", levando à repulsa consciente ou abafada de si mesmo de modo que existir torna-se irrelevante. Umas para as outras - anteriormente, para si próprias -, as pessoas tornam-se simplesmente inoportunas, sendo, por este laço, semelhantes e unidas de forma descarada, porém incapazes de perceber; incapazes em seu "eu" insosso, de serem mais que um acompanhamento pífio.
   Tal solidão não se funda em exigências, não se limita a determinado tipo de vítima. Antes que o homem fosse homem, já tinha sobre si a sombra de sua…

Realengo

Seriam vinte e três. Foram doze. Na verdade, nenhum de seus almejos foi realmente ultimado e agora seu corpo "incasto" o acompanhará até datas imprevisíveis - estando adormecido ou desperto. Ninguém estava lá enquanto, pela última vez, a vida o fazia engasgar perante sua insubordinação. Esse fato, porém, não deve ter sido relevante - talvez nem venha a ser... É a vida, afinal, e o que a gente faz ? Principalmente quando já não se sabe mais do que se trata, como se trata, tamanha a distância entre o corpo e... O resto. Seria adorável saber se todos os anjos serão piedosos. E dizer, de alguma maneira, que sinto muito. Por todos.
Apesar dos dias frios eu sei... Que você sempre vai voltar pra mim.
Eu quero que você venha me abraçar.
Não posso não pensar demais em você, não consigo. Pensando demais em você, não posso evitar a felicidade dos momentos. Que vivi, vivemos; que viveremos.
Eu quero que você me abrace. Eu sempre te quis tanto, tanto... Você sabe.
Minha maior constância é confiar. E querer seu abraço, sim. E nunca mais me afastar de você... Pra nada, por nada.
... E veja bem, você nem fez nada. Você nem me disse nada desusado...
E, de qualquer maneira, não creio na necessidade de separar palavras para entregar-lhe - o momento fala por si.

Conto "Por Enquanto", Clarice Lispector

Como ele não tinha nada o que fazer, foi fazer pipi. E depois ficou a zero mesmo.
Viver tem dessas coisas: de vez em quando se fica a zero. E tudo isso é por enquanto. Enquanto se vive.
Hoje me telefonou uma moça chorando, dizendo que seu pai morrera. É assim: sem mais nem menos.
Um dos meus filhos está fora do Brasil, o outro veio almoçar comigo. A carne estava tão dura que mal se podia mastigar. Mas bebemos um vinho rosé gelado. E conversamos. Eu tinha pedido para ele não sucumbir à imposição do comércio que explora o dia das mães. Ele fez o que pedi: não me deu nada. Ou melhor me deu tudo: a sua presença.
Trabalhei o dia inteiro. Sozinha no mundo e no espaço. E quando telefono, o telefone chama e ninguém atende. Ou dizem: está dormindo.
A questão é saber aguentar. Pois a coisa é assim mesmo. Às vezes não se tem nada a fazer e então se faz pipi.
Mas se Deus nos fez assim, que assim sejamos. De mãos abanando. Sem assunto.
Sexta-feira de noite fui a uma festa, eu nem sabia que era o aniversá…
Aí passam-se duas horas, passa-se uma noite. E eu sei que o amo.
São tantas dores, porém, que ainda estão a latejar... Eu sei que se não o amasse, teria ido embora. Aliás, nunca teria deixado que nos aproximássemos de maneira que eu precisasse ir embora.
Aprende a confiar naquele que queres, se o queres. Manda embora aquele que te espera, se não vais ao encontro dele (e não vais, porquanto não fazes aquilo que condenas).
Acaba com essa ânsia - fica só, ou vai viver de companhias ? Como ? Viver de companhias quem nunca precisou de ninguém ? Vai deixar-se incomodar por duas, três, palavras não ditas ? Fraquejar agora ?
Vai à merda, isso é que sim.
Meu amor, estou com medo. Da frieza, do egocentrismo, do egoísmo, da hipocrisia, da doença de ser gente - medo dos homens, das máscaras. Da falta de limites para atraiçoar, seduzir e contundir com o simples e comodista intento de obter qualquer prazer breve, supérfluo, mentiroso...
Um papel medíocre e uma caneta ruim mas, cá estou, apesar de que fazer nada me parece melhor do que fazer qualquer coisa.
Um papel medíocre que muito não me deixa dizer, veja: quem é você, perto dele ? Ninguém pode afirmar que ele mente, apenas que o que ele diz sentir é frio demais para ser verdade, para ser humano. Mas não há nada que evidencie o fato de que ele é alçado por mentiras. Nada.
... Mas você ! O que você fez, sim, é mentir. De todos que você julga mal, de todos, é você a criatura mais ínfima. O verdadeiro grande mentiroso - que pena.
Minha maior vergonha, meu caro, é a memória que levo comigo, de ter desejado ser como você é.
Esperando, estafada, fecho os olhos e deixo meus músculos relaxarem.
   Vem inquietar-me certa angústia, querendo que eu me levante, querendo que eu abra meus olhos... Afinal, você pode chegar enquanto estiverem fechados (e eu não quero desperdiçar um segundo de você aqui).
   Levanto-me já pronta para tornar a esperar, apenas por conhecer-me e saber que são vãs as tentativas de conter os impulsos de tal angústia... Pois eu sei que você não chegará enquanto eu mantiver fechados os meus olhos.