Postagens

Mostrando postagens de Janeiro, 2012
Imagem

(Distante) Devaneio:

A gente perde sem ver, sem querer...
Simples assim. O que estava ali de repente não está mais. E a gente se importa, de verdade ?
Importar-se não basta. Ao passo que perdemos, mudamos... Não. Ao passo que mudamos, perdemos.
Um dia a gente percebe que (se) perdeu, mas quem diz que mudamos ? A gente muda sem saber e continua não sabendo... Aliás, a gente sabe quando sente que perdeu o que perdeu. Perdendo, mudamos ainda. Uma ciranda infinita de legos despencando, a causa é o efeito e a causa (,) e o efeito trata de ambos também.
A perda é do tamanho da mudança (só que maior).
Eu me pergunto o tamanho de sua perda... E se você é/está tão vazio quanto seu silêncio o faz parecer.

O Boi Zebu e as Formiga - Patativa do Assaré

Um boi zebu certa vez
Moiadinho de suó,
Querem saber o que ele fez
Temendo o calor do só
Entendeu de demorá
E uns minuto cuchilá
Na sombra de um juazêro
Que havia dentro da mata
E firmou as quatro pata
Em riba de um formiguêro.

Já se sabe que a formiga
Cumpre a sua obrigação,
Uma com outra não briga
Veve em perfeita união
Paciente trabaiando
Suas foia carregando
Um grande inzempro revela
Naquele seu vai e vem
E não mexe com mais ninguém
Se ninguém mexe com ela.

Por isso com a chegada
Daquele grande animá
Todas ficaro zangada,
Começou a se açanhá
E foro se reunindo
Nas pernas do boi subindo,
Constantemente a subi,
Mas tão devagá andava
Que no começo não dava
Pra de nada senti.

Mas porém como a formiga
Em todo canto se soca,
Dos casco até a barriga
Começou a frivioca
E no corpo se espaiando
O zebu foi se zangando
E os cascos no chão batia
Ma porém não miorava,
Quanto mais coice ele dava
Mais formiga aparecia.

Com essa formigaria
Tudo picando sem dó,
O lombo do boi ardia
Mais do que na l…
Quanto aos calos que me calam na fadiga de caminhar, só me resta e deleita deter-me. Em quem sou ou tento ser.
Transfigurados espectros, os quais em vão tento afugentar, noite após noite me devoram e arrancam-me pranto de fúria muda que açoita paredes imaginárias, prende a respiração ofegante e rói travesseiros para conter um soluço... Justificam-se em todos os momentos que me levaram a ser o que sou.

"...Há meros devaneios tolos a me torturar..."
Esta mão acaricia rimas torpes e insípidas; Esta mão afaga e cria rimas tortas, escondidas em cadernos já antigos onde o desbotado colorido de desenhos primários, como esqueletos rabugentos em armários, fazem reino.