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Mostrando postagens de Junho, 2011
Olhos tempestuosos, embargados pela sombra de olhos glaucos; afogados num espectro castanho. Olhos cujo trabalho hercúleo é fincá-los junto aos pés, nesta terra iníqua. Fincá-los, não posso, devo já dizer, junto aos pés passivos, os olhos não param.
O mundo sinestésico, das estesias frenéticas de conjunturas supostas e mortas - desviaram-se os olhos -, a busca antitética (porquanto a boca não cala, conquanto queira, conquanto não queira) pelo silêncio abissal restrito aos olhos do âmago... Os olhos, os olhos. Escassos, porém, em si, em seus poucos castanhos de olhos, cabem os outros olhos todos, e os olhares infindos jazem neles... Nestes olhos.



Falta a inconsciência de ti.
Opres...so. Laconizante.
Opresso - lacônica.
Necessito um neologismo
de meu gáudio, digno.

Inopino...
Soía, moribundo, agora vívido,
Soía tão perto e longe: tantálico,
O desatino, agora lúcido:
a miragem de um abraço...
Nato singelo e invariável.

Os gritos, todos, tão cálidos,
Dos gritos, todos, trancados,
Urge, urra, o desacerto, o desvario,
O ter-te e ter-te mais que em mim,
O ter-te e ter-te.. Enfim.

Convulso

Eu... Eu, eu não queria ter chorado.
Merda.
Eu ("eu, eu, eu...") odeio não ter controle sobre mim mesma... Quero dizer, eu odeio não ter controle nem ao menos sobre mim mesma.
Que eu chorasse. Mas que soubesse responder (quiçá forjar uma resposta) a quem me perguntasse porquê.
Ainda.. Sinto-me... Lânguida.
Ah, quem dera... Quem dera eu entendesse o que há, e somente não pudesse dizê-lo, por não conseguir... Mas... Não consigo explicá-lo, palpá-lo... Um espectro deformado, que mal aguenta ser espectro... Nato de instintos, de impulsos..
Eu sei, eu só deveria saber... O que eu não sei (começo a rir, sem mais perguntas).
Quando começou, quando deve terminar... Tanto para dizer que tenta sair ao mesmo tempo e... Nada sai. Reticências, nunca, minhas queridas, as odiei tanto... Por serem tão... Incapazes, tão... Impotentes ! Por serem... Por serem tudo o que tenho.
Deixa-me pegar-te as mãos... Sinto-as tão trêmulas, agora. Deixa-me dizer-te que sinto falta de ti, e de como adivinhavas tão facilmente, minhas recônditas (e inglórias) obviedades...
Ainda me encantas, é certo. E ainda sinto-me amando-te a cada dia mais, como desde sempre... Há, somente, uma maneira nova de fazê-lo. Sinto-me uma nova pessoa. Sinto-te uma pessoa incompleta. Que houve contigo, meu querido ?





"Esse amor, essa fidelidade, essa paixão não é, pois, uma ficção do poeta ! Ela vive, ela existe..." (Goethe)
Imploras por um apartar que não venha nunca, sem atinar o verdadeiro peso dessas palavras.
Posso escutar, desde já, ainda que suavemente remoto... O retrógrado tombar de meu Castelo de Areia.
And still when I think about that day
It makes me want to cry so hard.. Again.
Damn, you're mine,
How could you ? You can't
Be just leaving,
Be just going,
Once you gave me here a thousand truth of lies;
Once you won me all over, you made all that shit right...

Nefelibata

Não há, para mim, nada mais difícil
Que encontrar-me em ti; o que está perdido
Neste teu sorriso, tão só, tão íntimo,
Tão promitente de ímpetos nocivos...

Estes rostos, estas nuvens e linhas !
Cinéreas, aéreas, tuas, e minhas...
Consonâncias incompletas e rimas
Exaustas, conhecidas... Corroídas.

Beatitude, que se diz famélica
Dos abraços teus, braços, de alvorada,
Desta beleza que, tão bela, bélica.

Não há nada para mim; pra ti, nada,
E o nada, dos nadas, deixa-me incrédula;
Entranhas atadas, nefelibata...