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Mostrando postagens de Maio, 2011

A Nomear-se..

Mayara:
Vai, agora começa você
Nicole:
Certo, deixe-me pensar....
Mayara:
Deixe-me pensar nas burradas que fiz ontem, e que hoje não passam de meras nostalgias na memória
Nicole:
No consequente arrependimento de ter investido num abismo, já conhecendo o desfecho dessa história
Mayara:
...Fiz-me de tola para conquistar os tolos
Nicole:
Fiz-me de louca pra governar os loucos !
E, como tola, me enganaram; como louca, me domaram...
Mayara:
Domaram minha sina, aquilo que a mim era ditado como o mais precioso, isso me tiraram...
Nicole:
Agora deles sou cativa, deste sonho que me consumiu somente quando dele me acordaram
Mayara:
Agora das vagas lembranças tiro a prática, dos sonhos não me retiro, tiro de letra esse destino!
Nicole:
E nadando nesta camisa de força, atino que das memórias, sobraram o torpe....Entorpecer. Atino, meu desatino, guia-me, é nato, é instinto
Mayara:
Todavia sinto em mim esse instinto, flagelo-me, reciclo em mim tudo aquilo que um dia fora perdido...
Nicole:
E nas névoas dessas perdas, nas …
Mayara:
Foi-se embora, como as estrelas num termino de luar
Nicole:
Foi-se embora, foi sem medo, foi tentar brincar de errar
Mayara:
Foi brincar de se encontrar, de simplismente viver,
não olhando a quem, mas fazendo o bem
Nicole:
Foi brincar de ser quem era, até encontrar-se ao ser alguém
Mayara:
De um jeito simples e inocente deleitou-se em seus braços, dali fez seu paraiso
Nicole:
E do que, da vida, era um ensaio, rabiscou um improviso
Mayara:
Improviso qual, gerou riso, pulsou alegria
Nicole:
Alegria qual, como uma dança, se compartilha
Mayara:
Se partilha, e se eterniza...
Nicole:
E, toda dela, toda nossa, sem rubor, quer ser escrita, sem pudor, pinta e arrisca.
E esses olhos ? Esses olhos que me seguem... Que inventam de tingir com um riso suspeito, qualquer outra face que envolvam.
Pego-me, outra vez, tentando relatar o que não possui traços, querendo dizer... O indizível.
Essa névoa tão opaca que reveste os olhos teus, esse brilho sibilino que os destaca... O bálsamo do Inverno a ele está enlaçado: seu frio soprar, sua cor gélida e dormente, seu toque severo e áspero, sua Solidão aveludada, seu som sombrio de Inverno, seu beijo de mistério, de Inverno e... Somente... De Inverno...

Ávio

A audácia desses dias, leva-me, vai levando-me... Entrementes ele troca de ideias, impaciente, inconsequente, pueril.. Eu diria, como lanças cruciantes, todavia, já não chega a tanto: encontro-me habituada aos risos, aos plangores, às mudanças, às permutas... Sem conformar-me, porém, como é que demonstra tão bem ser alguém, sem o ser e, dominando tão bem as virtudes e os interesses... De ser outro ? Imprudência, hoje sei, é supor e confiar.
Necessito entendê-lo, quase não podendo, entretanto, tão somente interpretá-lo..
Longe de mim, da parte dele que em mim há, maquinalmente consciente, arrasto-me de volta para perto, quando a irmã indesejada remete-me àquela frieza justa e à saudade, companhia dos solitários, que, impiedosa, satura-me de si e da fome de saber se.. Se houve troca de ideias, ou ideias nenhumas.
Bye, bye... Bye, bye, my love,
Bye, bye, bye, bye, for now.
Bye, bye... Bye, bye, my love,
But I just don't know how...

Bye, bye... Bye, bye, my love,
Bye, bye, I let you leave.
Bye, bye... So long, my life,
Bye, bye, I will stay here.

You see, as me,
This town is sinking,
You watch the trees on fire.

The roads are broken
The sky was stolen,
And your only care is a goodbye...

So, bye, bye.. Such a waste of time.
Bye, bye, you're no longer mine...
From me, to you,
This altruism so blue...

Bye, bye... Bye, bye, my dearest,
Bye, bye to a love so briefest...
Bye, bye... Bye, bye, my cherished
I'll save it on my chest...

Bye, bye... Bye, bye, my dear,
You'll never know how could be...
Bye, bye, "bye, bye is above",
"Bye, bye", for you and me;
Bye, bye, for you, my love..
Quem espera inutilmente
essa tal "dor que desatina sem doer" ?
Esta dor, indolente,
Ai, dói em mim, dor que não posso bradar,
A dor insolente
Do teu abraçar
Que nunca vem e, muda, só faz querer calar...
...Sua diferença é uma anomalia.
As palavras repetiam-se, incessantemente. E misturavam-se, embaralhavam-se, trombavam umas nas outras, arrumavam-se despropositalmente, num eco, num grama de cheiro de fósforo, que ela não perceberia se não lhe tivessem dito.
Tremiam e misturavam-se também os elementos de sua paisagem. Se fechasse os olhos para organizá-los, dormiria.
Nato de motivos que ela não procurou entender, receosa, um sorriso despontou, escondido em algum canto daquele murmúrio, e os olhos piscaram mais lentamente, querendo torná-lo mais vibrante, querendo sem querer..
Agora, não era mais nada. Ali, não havia mais nada. Quede... Consciência de hora, lugar e si mesma ? Não havia... Quando perde-se assim, e quando perde-se assim ? Conhece ? Este querer não encontrar-se nunca mais..
Porém, sua diferença... Era uma anomalia.
Sinto-me a pureza egoísta, a perceber a minha solidão somente. A solidão insatisfeita da companhia que não me sacia...
A péssima atriz que sempre interpreta as árvores curiosas e indiscretas. O desejo de ser mais - a óbvia e conhecida frustração de não ser, eu... Sinto-me sentindo algo.
Árvore.
Sinto encontrá-la para desprezá-la. Eu, logo eu, que me encontro em canto algum para julgar ou apontar, todavia, humana, afanoso é não fazê-lo.
As palavras fogem, pávidas e regressam, imorais, desconhecidas. Inventam para si qualquer outra acepção, não reconheço mais meu idioma, tão cheio em cada pedaço, de tanto vazio e tanto silêncio. Triste conspiração ingrata. Triste coleção de farpas, adornos aos meus retalhos...
If you wanna come,
You don't have to be on your own..
I don't have a church,
But I have a home.

If you dislike the sun,
You can keep your breath alone.
I used to have a home,
Now there's only this smirch...

Eu te Amo na Primeira Semana

Um "eu te amo" na primeira semana
Faz disparar o coração
Arregalar os olhos
Despeja na corrente sanguínea adrenalina suficiente
para você nunca precisar saltar de pára-quedas na vida
A vida, após um "eu te amo" na primeira semana
Demora a criar rotina
A tensão é constante
Será que ela me ama mesmo?
Será que ela já falou isso, em apenas uma semana, para outro alguém?
Mas se é real e recíproco
Um "eu te amo" na primeira semana pode virar algo forte
Duradouro, bodas de ouro
Um "eu te amo" até a última semana!

(Igor Cotrim)
Teu riso pálido no céu fugaz, apressado. Teu riso gélido, inerte, encara-me com aquele velho e odioso tom irônico.
"Eu queria tanto que você fosse embora, junto ao céu e tudo o que nele há ! Eu ainda gosto tanto de você..."
Lívido como o que me é inerente. Custa-me empunhar a caneta, observar meu tempo leviano correr a esmo por ti...
Debalde tentar pensar, tentar entender como me fazes sentir, como me deixas... Nada vem, além de outra lúrida prosa turva, triste...
Tento concentrar-me em algo, sem conseguir esquecer.. O nada que me remete a ti, o vazio que cultivas em mim. Deverias estar aqui... Deverias forçar-me a admitir, ai, como sinto tua falta...
Por que acordo esperando notícias tuas, sem as querer ? Sem querer-te.. ? Hostiliza minha inquietude a espectativa de recebê-las, assim, tão desmotivadas e cheias de intentos aparentes que, de fato, inexistem...
Estaria melhor se nunca o tivesse conhecido, mas isso é óbvio.
Vou... Saio sem a impressão de ter vivido algo. Todas as lemb…

Remisso

Uma mácula, um borrão. No azul imponente, esqueceram um pedaço de nuvem, tímido, branco de rubor, tentando aprender a dissipar-se.
Pobre projeto de bruma, de sopro atabafado, de névoa reprimida, perde seu tempo tentando esconder-se, sem ver que o vento faz isso por ela... Mas não há mesmo forma melhor que possa viver, paciência.
Paciência. Como pode caber tanto nesta forma semi-nebulosa tão miúda ? Tão miúda e com passos tão paulatinos e concisos e acanhados, que caminham longe, tão mais longe do que qualquer um pode enxergar...
Quisera que minhas horas corressem como correm as dela, e que não pudessem tocá-las, e que não pudessem mudá-las, como não podem fazer com as dela. Quisera ser dona de mim, ainda que eu não fosse mais que um fiapo tênue de fumaça esquecido.
Vou buscando esquivar-me, até onde me permite a ética. Distância boa não se faz ver, faz caber em um centímetro um ano-luz, surpreende, lenta e fugaz, imperceptível até que se veja... Afastando-me, sinto-me segura, porém a tua procura, a tua busca de mim, deixa-me inquieta, pois busca-me apenas para afastar-me em seguida.
Ai, amo-te... E amo-te mais quando me encontro em teus braços...

"Senhora, partem tam tristes / meus olhos por vós, meu bem, / que nunca tam tristes vistes / outros nenhuns por ninguém. / Tam tristes, tam saudosos, / tam doentes da partida, / tam cansados, tam chorosos, / da morte mais desejosos / cem mil vezes que da vida. / Partem tam tristes os tristes, / tam fora d’esperar bem / que nunca tam tristes vistes / outros nenhuns por ninguém." (João Roiz)
O justo é não julgar, a realidade não se entende, se aceita - creio eu.
Por hora, lhe digo - e, não tome você, isto como um elogio - que a morte não vem por não a merecer.
Não posso negar que você talvez não seja somente a frieza desses seus olhos amarelos e loucos e sequiosos e vigilantes. Talvez haja, sob esse manto empedernido que te cobre, a parte que sofre e que diz que sofre, que escreve e deseja a morte, a parte na qual ninguém acredita.
Sei que nada dito aqui é válido, não é uma sentença, é uma opinião. (Custoso). Cansei de ver-te como moléstia para tentar enxergar-te como gente.
Mas há que o dia está beloE estes passos que esfacelo, Amanhã vão-se pra sempre.

Mas há que o dia está claro, Tão próprio do meu regalo, De minha dor, abducente.
Há que a companhia é boa, De cessar pranto qualquer, Nada me vem confranger.
Meus dias passam à toa, Vou no metro da garoa, Só procurando esquecer.
To be... Human.
We are the careful and the displicence. We are so... equal, and so different. The promise and the abandonment. To be and to seem.
I... I was, I am all that I said I was. I will. You thought... Thought that, I don't know, don't tell me, don't, I don't want to know, it's not up to you to say. What's on me, since then, such an unfair emptyness ! So unfair ! We... regressed. I regret it all cuz it burns on me. As we are, now, less than we were when we met. Like we're in -100, in a range from 0 to 10. No intimacy, just the way I miss what... just wasn't there. I bet everything I had in a... Illusion (a worn, clumsy, weak and stupid euphemism to "lie"). See you and me: ingratitude and betrayal. Hurts... Everytime your image comes to my mind. I want to avoid, not to think... (Thinking, I though; cannot let go, I must). Force myself a thousand times to embrace this reality. Hurts... Much less, much more, much... Too much. As I heard you shatter me…

40 Dias no Espaço - Leoni

Imagem
Até ontem tudo estava aqui
Casa, sol, felicidade, nós, Mas aconteceu e eu nem percebi
Quando tudo se perdeu de mim

Quadros, móveis, a televisão,
Nossas fotos, seu amor por mim,
Devem estar aqui, noutra dimensão,
As coisas somem sem explicação...

Se tudo passa depressa
Só o que é novo interessa...

Quarenta dias no espaço,
Em algum planeta deserto,
Talvez de lá eu consiga voltar a ver
O que eu não vejo de perto

Só enxergo o que eu não posso ter,
Mas se qualquer dia eu conseguir,
Vai perder a cor, desaparecer,
Como tudo o que me fez feliz

A beleza explode ao meu redor,
Um milagre novo por segundo,
Facas e maçãs, luzes sobre nós
E os detalhes que revelam o mundo

Mas tudo passa depressa
Só o que é novo interessa

Quarenta dias no espaço,
Em algum planeta deserto,
Talvez de lá eu consiga voltar a ver
O que eu não vejo de perto...