A Nomear-se..

Mayara:
Vai, agora começa você
Nicole:
Certo, deixe-me pensar....
Mayara:
Deixe-me pensar nas burradas que fiz ontem, e que hoje não passam de meras nostalgias na memória
Nicole:
No consequente arrependimento de ter investido num abismo, já conhecendo o desfecho dessa história
Mayara:
...Fiz-me de tola para conquistar os tolos
Nicole:
Fiz-me de louca pra governar os loucos !
E, como tola, me enganaram; como louca, me domaram...
Mayara:
Domaram minha sina, aquilo que a mim era ditado como o mais precioso, isso me tiraram...
Nicole:
Agora deles sou cativa, deste sonho que me consumiu somente quando dele me acordaram
Mayara:
Agora das vagas lembranças tiro a prática, dos sonhos não me retiro, tiro de letra esse destino!
Nicole:
E nadando nesta camisa de força, atino que das memórias, sobraram o torpe....Entorpecer. Atino, meu desatino, guia-me, é nato, é instinto
Mayara:
Todavia sinto em mim esse instinto, flagelo-me, reciclo em mim tudo aquilo que um dia fora perdido...
Nicole:
E nas névoas dessas perdas, nas fibras dessas cerdas, vou perdendo-me de mim e do que também eu fui, perdendo-me somente para reciclar-me em mim
Mayara:
Vou perdendo-me toda, dilato aquilo que de fato sou, revisto-me do óbvio, do inoportuno e do coerente...
Nicole:
E presa a todo esse ilogismo, transformo sem intentos num lugar comum infindo o que era antes meu alento
Mayara:
Fez-se a expandir toda minha sintaxe, criou asas e voou, num mar lisongeiro logo se apagou
Nicole:
E, tão prolixo este conto, dito um fim infindo, um fim indigno, a esta sintaxe sinestésica, em mim encarceirada, pois a existir, esta criatura alada nunca, ao menos, começou
Mayara:
Sem desfecho essa história, dita sem horas e sem memórias, deixo-a guardada dentro de mim, inexistente é o ser que a descreve, que a transcreve entre linhas e se desfaz por si só
Nicole:
E não há quem, para abraçá-la, vista seu enredo descompassado no tempo. Não há quem se aventure a desatar este nó.

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