Instintivamente, admoestava o que não compreendia, afugentava os de aparência ruinosa, julgando-os malevolentes.
   E então, trombou com aquela criatura, cujos traços repugnantes e obscuros eram refutados pela ternura que transbordava de seu olhar singelo. Seus movimentos grosseiros, todavia cautelosos, a obsequiaram tão intensamente que, impetuosa, ela tratou de fazer daqueles braços gigantescos, pavorosos, seu resguardo.
   Entretanto, dando-lhes rasteiras e pontapés, esta vida fugacíssima fez com que a criatura, vexada, encolhesse-se, encarcerasse-se dentro de sua própria existência medíocre e horrenda. Ela, cativa sua, já rendida a seus lábios que prodigavam pureza e a seus olhos gelatinosos, prometidos de comiseração, viu-se só, mais uma vez, e tornou-se tão desgostosa quanto seu próprio abandono e quem a abandonara.
   O gelo corroeu suas entranhas e artérias e sua vivacidade virou pó, pó à deriva dos ventos errantes, arrastado a lugares distantes, florescendo para alguns poucos olhares, em cantos dos Reinos das Sombras, entre os miseráveis… Enfim abalroando aqueles traços sórdidos inconfundíveis… De novo.

Comentários

  1. OOO vc tem uma percepção invrivel, sabe q adoro demais seu jeito singular e tocante de escrever. Adoro te ler... bjos by: DAY.

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  2. incrivel ops escrevi errado

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