Gentis palavras, como beijos de lábios apodridos revigoram lembranças cruelmente doces, sepultadas em meu íntimo. Espectros que se vêem livres para renascerem e fundirem passado em presente.
   Dentro de mim, longe de tudo o que há fora, um cemitério construí para tumular minhas memórias, podendo tornar a vê-las e vivê-las quando desejasse. Porém, começo a pensar que eu nunca tive controle sobre elas (uma vez que me vêm assombrando por noites e dias, sempre que bem entendem) e pergunto-me, se assim quisesse, poderia mandá-las embora ? Poderia tirá-las todas de mim ? Livrar-me deste vasto campo de jazigos e segredos ?
   Não necessariamente à meia-noite, esses fantasmas que tenho cultivado dentro de mim, em seus animalescos restos de ossos esfarinhados, vísceras expostas e artérias vazias, dilaceradas, vêm buscar-me e preencher-me de amargor e de um vazio tétrico, infindo…
   Se eu procurei por isto, se eu criei cada parte de cada um deles, por que não consigo abatê-los ?

Comentários

  1. É voce ou Augusto dos Anjos? hahaha...que linha tênue.

    ResponderExcluir
  2. Quem sabe não tenha siso você que os criou... Adorei a metáfora feita com cemitério. Inspirador minha amiga

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Ano Três