Não sei dizer se o fato de ela fazer tudo aquilo que você condenava que eu fizesse me alegra, entristece ou enraivece. Hoje você fala tudo o que me disse para nunca falar. Ela é o tipo de garota que você jamais aceitaria que eu fosse e que, aliás, eu nunca tive vontade/capacidade de ser.
   Há um bom tempo, quando eu ainda praticava algum tipo de esporte, me acertaram uma bola de basquete na cabeça, e eu me lembro bem de como tudo escureceu e somente uma enorme estrela branca brilhou. Essa é a definição mais próxima que eu consigo dar sobre como me sinto quando, de repente, eu me recordo exatamente de quem você era, como se tivesse sido ontem a última vez que te vi, como se nós dois ainda fôssemos somente um. Um choque, um susto. Eu tremo e pisco, e faço qualquer coisa e afasto novamente essas lembranças, tão perfeitas, tão detalhadas, tão complexas, tão cheias de você, do seu cheiro, sua voz, do seu jeito, de suas manias… Não sei por que ainda venho aqui, neste lugar que só me faz mal, e cada vez mais… Não sei por que sempre volto.

Comentários

  1. ...mesmo que reste só a lembrança as vezes ela pode ser mais forte do que parece e pode causar um efeito bem maior do que se imagina... AMEI sua descrição!

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  2. Lembranças... Por que algumas delas simplesmente não morrem? Por que resistem tanto e parecem ficar resistentes, com o tempo, a qualquer pesticida que resolvemos usar para combatê-las? Como um antibiótico que não faz mais efeito contra certo tipo de bactéria, depois de tantas vezes sendo usada. Fracassos!
    É a Lika, é que to com preguiça de logar , xD
    Aliás, amei o seu texto, principalmente a parte da estrela brilhante no meio da escuridão!! Você sendo sempre impecável!

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