Vulgar

Olhos raivosos e uma voz dolorida,
meu Pai, eu dou tudo pra não acabar sozinha.
Quem quer ser o próximo a se entregar ?
Sonhe que amanhã tudo vai melhorar,
porém, este ‘amanhã’ nunca irá chegar…

Atirem naqueles lábios, calem aquela boca,
que morram todos, garotos e garotas,
crescendo vazios sem se dar conta, submissos,
guiados pelo mesmo hino repetitivo.
Dizem ‘fabuloso e furioso,
o gosto da morte conveniente é delicioso’.

Olhos raivosos, nada a dizer,
meu Pai, não é assim que eu quero morrer.
Esperamos pra saber quem devemos culpar,
dia após dia, obedecer e marchar,
sonhando que amanhã tudo irá melhorar,
sabendo que amanhã nunca irá chegar…

Então por que deveríamos nos importar ?
Por que eu deveria tentar ajudar ?
Quando todos nós sabemos que nada irá mudar ?
Quando todos nós sabemos que desistir é acreditar ?
Quando não há nada a se fazer, apenas aceitar
que o resumo do que temos sido é esta poesia vulgar ?

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