E tanto andei, até chegar a lugar nenhum.

   Durou menos desta vez. Quase nada.
   Deu-me tudo, e em troca, tudo me tomou. Tenho agora a ideia da existência de dois “tudos”. Eu sei que não posso ter ambos, eu aceitaria me desfazer de um, para ter o outro, se essa opção me fosse concedida. Mas agora eu não tenho nada. 
   Eu tive várias chances de ir embora, e não deixar chegar ao ponto que chegou. Eu insisti, teimosa. Iludi ambos e agora, não sei quando ele terá notícias minhas, não sei quando eu terei notícias deles. Eu realmente fui uma idiota, esquecendo-me de quando meu professor, Melécio, me disse que o amor verdadeiro não exigia uma renúncia tão grande. Se eu tivesse mantido essa ideia realmente dentro de mim, junto com tantas outras, todo esse tumulto teria sido evitado.
   É ridículo, mas, a ideia de que, em algum lugar, existe algo ou alguém, apenas brincando maldosamente comigo, me soa bem convincente. Eu sou invadida por uma onda de esperança, eletrizada, tomada por amor e pela certeza de que um novo dia nascerá, junto com uma solução pacífica para o único problema que me incomoda. Algo que me parecia impossível, de repente, reanima-se de forma feroz. Eu já tinha perdido as esperanças, e então, meus sentimentos me fazem estremecer e eu mesma me provo que estava errada, que ainda era cedo para ceder e me conformar. De repente eu fui espancada pela ausência dele. De repente, eu acreditei que nós poderíamos ficar juntos. Acreditei como nunca havia acreditado antes.
   …E então, de novo, eu “caí do cavalo”. Para mim, chega a soar irônico que meu sonho tenha acabado justo agora, quando ele estava tão próximo de minhas mãos. Como se toda essa onda de esperança tivesse vindo apenas para eu me despedir, ou apenas para fazer com que essa perda doa mais do que realmente precisa doer.
    Eu já tinha desistido. Já tinha dado de ombros. Já tinha dado um basta em tudo. Já estava decidida a seguir minha vida pelo caminho mais fácil. Por que diabos eu tinha que voltar atrás e me deixar enganar de novo ? Por que eu tinha que me iludir, e iludi-lo também, DE NOVO ???
  
Meus queridos, a pessoa que escreve agora é o animal mais estúpido que vocês já tiveram o azar de conhecer. Sabe como é minha vida ? Minha vida é: fazer merda e lamentar por ter feito merda. Só. E o pior é que… É verdade. Não estou exagerando, não estou fazendo drama. É a mais pura verdade. E as pessoas percebem isso, e é por isso que a maioria delas se vai.
   Não, ele não se foi. Ele nunca esteve aqui. Nunca terá a chance de estar. Talvez porquê [n/a: já devo ter dito que, até hoje, eu não sei a regra do uso correto dos “porquês”, então, se estiver errado, é só ignorar] eu não mereça. Eu sou egoísta, muito egoísta. E sou ingrata. Muito, muito ingrata. E eu não me conheço, eu sou insegura. Eu vejo uma pessoa com uma delicadeza cruel crescendo dentro de mim, afogando meus desejos bondosos e dignos cada vez mais. 
   
   Ah, mundo hipócrita. Cruel, sanguinário. Estou cansada de todos vocês.
   Uns simplesmente foram embora. Você sabia, você sabia que eu realmente precisava de você ?? Você sabia que era a única pessoa que poderia me dizer qualquer porcaria, que seria mais do que o suficiente para me ajudar a respirar ?? Você se importa ? Você nem ao menos sabe quem eu sou, faz tanto tempo que você se foi… Junto com todos os outros. Eu estava contando com a sua ajuda.
   Outros são uns inúteis. Argumentam de um lado, me incentivaram a nunca desistir. Argumentaram de outro, mostraram-me todos os riscos. Ficaram “em cima do muro” confundiram-me ainda mais.
   Outros cruzaram os braços e não se envolveram. Esses, são os piores: o silêncio de cada um de vocês apenas me mostrou que vocês, simplesmente, não dão a mínima.
   Não estou tentando procurar por culpados, eu sou exatamente igual a todos vocês. Não devia ter envolvido tanta gente no mesmo engano. Eu fico exigindo que alguém se importe, mas na verdade, eu sei que não mereço atenção.

   Uma vez, minha amiga Elis me disse que nada nesse mundo valia o suficiente para nos fazer magoar a nossa mãe, mesmo que elas não sejam tão legais o tempo todo. Eu queria poder pedir desculpas, mas ela, minha mãe, não aceitaria, nem ao menos acreditaria. De qualquer forma, esse pedido de desculpas não seria o suficiente, pois eu jamais pediria para ela me perdoar por “amar a pessoa errada”. Eu só lamento ter dito que ela não será minha mãe para sempre, e que, um dia, eu viveria sozinha minha vida, como bem entendesse. Além de imaturo, não é assim que eu me sinto. Se ao menos eu realmente pensasse assim, talvez fosse até um pouco coerente que ela soubesse, mas, não é verdade. Eu não tenho o direito de magoá-la dessa maneira. Ela não merece. E eu não sou ninguém para sair por aí falando merda desse jeito.  

    Ah, de nada adianta, ficar aqui, lamentando. Tarde demais. Eu vou continuar vivendo e fazendo merda, e tentando desesperadoramente arrumar o que eu fiz, tendo diarréias verbais como esta. Obviamente, tudo em vão. É, à toa. Sem resultado algum. Viver assim, sendo lixo, sem valer nada, em vão.

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