Consolo

Para o amor em vida não partilhado,
na morte encontro-me consolado.
Que seja o alívio do esquecimento,
que seja a angústia, que sirva de exemplo,
que seja o cinza que traz o tempo…
Que seja a redenção do sofrimento.

Amor descrito no mirar,
amor de que não se pode olvidar,
que não se pode superar.
Amor que não discrimina o gosto,
amor que não é moço,
é eterno, nasceu conosco.

Não há de haver idade pra amar,
pra sentir a bem-aventurança, única,
de uma vida cheia de dúvidas,
cheia de penar.
Todos hão de amar um dia,
e pagar com a própria vida.

Vem logo, nascido da natureza,
vem com as flores, aludindo à beleza,
vem com tua sintonia perfeita,
dança no céu, com as estrelas se deita.
Nos faz juntos eternamente, independente do  que nos cerca,
juntos eternamente, ainda que debaixo da terra.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ano Três