Apenas Um

   Uma luz fraca vinha da janela, iluminando parte da cama. O chão do quarto, a parede e o teto, eram de madeira. Móveis de madeira escura uniformizando o quarto. Um tapete bege, próximo à porta de entrada. Um acolchoado marrom escuro cobria a cama. Lá fora, a garoa se intensificava, a luz da Lua iluminava as gotas de chuva no ar, caindo sobre a grama, a terra e as árvores do campo em frente à janela. O ventilador rodava lentamente - insuficiente para fazer o ar circular naquele meio abafado.
   Ele estava sentado na cama. A jaqueta de couro marrom escuro combinavam com o tom de todo o quarto, amassada pela posição em que ele se encontrava: curvado com a cabeça entre os joelhos, pés no chão, as mãos nos cabelos castanhos claros, que eram um pouco mais longo do que o usual para rapazes. Os dedos pressionavam sua cabeça por entre seus fios. Dedos compridos, mãos delicadas.
   A porta do banheiro range, anunciando que estava sendo aberta. A luz do banheiro invade o quarto, mas, rapidamente é desligada. Ela andou em direção à cama. Seus pés descalços, em contato com o chão, pouco barulho fazia.
   Ele permaneceu imóvel, sentindo o colchão ceder embaixo de si, ao peso de alguém mais, sentando-se ao lado dele. Ele desce as mãos para o pescoço, desgrenhando os cabelos, deixando-os tão perfeitos quanto como de costume. Levanta a cabeça e encara a janela. Um relâmpago no céu invade rapidamente o quarto, brilhando sobre seus olhos azuis. Azuis profundos.
   Outra movimentação na cama, ela se aproxima dele, a mão dela percorre um de seus braços, começando pelo ombro até pousar sua mão sobre a mão dele, puxando-a delicadamente até seus lábios, depositando ali um beijo. Ela se aproxima mais e passa seu braço em torno do pescoço dele, envolvendo-o num abraço. Deita a cabeça sobre o ombro dele, fazendo-o sentir sua respiração quente em seu pescoço.
   Um arrepio percorre-lhe a espinha, fazendo-o fechar os olhos. Ele lhe dá um beijo entre os cabelos negros.
   Ela levanta a cabeça para observá-lo sereno, de olhos fechados. Lá fora, a garoa se intensificava, a luz da Lua quase inexistia. Trovões iluminavam o quarto temporariamente.
   Ela colou os lábios no pescoço dele. Afatou-se novamente e sussurrou: "O que você quer ?". Ele virou seu rosto, encarando-a com seus olhos azuis. Azuis que pareciam mais intensos e brilhantes naquele confortável escuro, do que na claridade perturbadora.
   Seus lábios moveram-se como que para dizer algo, mas palavras não saíram. Ambos sentíam as respirações um do outro. "Eu quero você", ele disse finalmente.
   A chuva pesada fazia barulhos no telhado e as nuvens encobriam a face Lua naquela noite. Corujas cantavam, junto ao som de sapos.
   No quarto, dois corpos formavam apenas um.

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