Riso

   De áscua enchem-se seus olhos, sua doçura torna-se austera; e então nem o mais brioso dos guerreiros atreve-se a enfrentá-lo.
   Tremem seus membros, tomados pelo derrotismo, quando estás sopitado, enfraquecido; e então nem um campo em emane devastação e abscondido pela neve, consegue ser tão melancólico, tão devoluto e álgido quanto a energia que transmites a quem o cerca.
   Passas o olhar furtivo, na busca de embair, faz uso de toda astúcia, disfarças sutilmente os restos de ações passadas desastrosas; e então tu conquistas o que desejas e enganas até o mais lúcido, se assim desejar.
   Danças com sua ostentação, com pulcríssimos passos, e então nem a mais terna rosa, com suas pétalas de veludo e seu doce perfume, consegue ser tão impecável, tão primorosa como tu és.
   Sua boca desabrocha um riso sincero, seus lábios denotam seus dentes branquíssimos em um generoso sorriso, e então nem o Sol de Abril, que ilumina as aves banhando-se pomposas, pode irradiar mais luminosidade, primor e bem-aventurança.

   Enquanto eu sucumbir, por favor, segure minha mão, antes que ela se torne rígida demais e eu não consiga movê-la, antes que ela se torne fria demais e eu não consiga sentí-la; e, por favor, por favor, sorria, antes que a névoa espessa, em meus olhos soprada, me impeça de ver-te a me mirar, e contemplar tua imagem apolínea e a perfeição de seu riso, que acompanhou-me durante todo o tempo em que eu poderia fechar meus olhos para sonhar, sabendo que voltaria.

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