Outono

   Ah, Outono, como eu te amo ! É uma pena que tenhas que ir…
   Já sinto falta dos teus lábios mornos e teu olhar gelado. Já sinto falta dos seus ossos contornando os meus e das suas cores, do jeito que sopravas meus cabelos e levava ao chão as folhas das árvores… Já estou sofrendo por não te ter mais como o pintor do meu céu; sofro logo quando chegas, pois sei que partirás, e morro afogada em nostalgia dos momentos que nunca vivemos, e apenas me permito respirar para aguardar o teu retorno, na esperança de compartilhá-los contigo.
  Agora meus dias serão apenas dias, minhas noites serão apenas noites, indo e vindo lentamente, fazendo arder mais ainda a minha espera por ti, oh Outono.
   Mas eu espero, tão forte quanto uma árvore seminua, tão firme quanto seus galhos secos, ou como uma folha murcha que ainda pende, teimosa, em um desses galhos. Ninguém sabe como eu permaneço aqui, eu simplesmente o faço… Eu enfrento o frio, a seca, as chuvas torrenciais, o calor, os nevoeiros, sonhando com a sua estabilidade. Esperando até que dia e noite tenham durações iguais de novo, esperando até poder colher tudo o que plantei, até poder me aninhar novamente nas folhas no chão, ter seu calor me envolvendo no soprar anunciante de frio dos seus ventos.
   Outono, não demore a voltar, por favor…

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