Sombras em minha parede,
contam-me uma história.
Não posso enxergá-las realmente,
mas posso ouvi-las muito bem.
A chuva vem por mim, vem cantar,
vem juntar-se a minha janela, a sentir
as flores apressarem o desabrochar:
o mundo, hoje, é mundo pra mim.
As cinzas retomam seu gosto,
as penas desprendem-se da escrita.
Pegadas deixadas sobre folhas mortas,
pegadas perenes – pegadas, somente.
Os anjos retomam seus postos;
as fugas, todas, já previstas
por palavras que descerram portas:
palavras com garras, palavras com dentes.

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