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Vinicius de Moraes

Soneto de Véspera Quando chegares e eu te vir chorando De tanto esperar, que te direi ? E da angústia de amar-te, te esperando Reencontrada, como te amarei ? Que beijo teu de lágrima terei Para esquecer o que vivi lembrando E que farei da antiga mágoa quando Não puder te dizer por que chorei ? Como ocultar a sombra em mim suspensa Pelo martírio da memória imensa Que a distância criou - fria devida Imagem tua que eu compus serena Atenta ao meu apelo e à minha pena E que quisera nunca mais perdida... ( Oxford, 1939 ) ----- Poética (I) De manhã escureço De dia tardo De tarde anoiteço De noite ardo. A oeste a morte Contra quem vivo Do sul cativo O este é meu norte Outros que contem Passo por passo: Eu morro ontem Nasço amanhã Ando onde há espaço: - Meu tempo é quando. ( Nova York, 1950 ) ----- Poética (II) Com as lágrimas do tempo E a cal do meu dia Eu fiz o cimento Da minha poesia. E na perspectiva Da vida futura Ergui em carne viva Sua arquitetura. Não sei bem se é casa Se é torre ou se ...

Eminência

Preencher o abandono, justificá-lo, Cuidar da renúncia, ratificá-la. Da ausência de ti, a clamante urgência: Meu suspirar, os anseios dos braços, Das palavras que não são para mim, Não me deixam dormir em reticências ...
She kind choose without choosing To live a new life away from him. She kind fears without fear To say the things he has to hear. She loves him, loves a lot, But that's not that right As it may seem. She may be dreaming with aught, But the shadow he putted on her eyes Hides whatever she may be. She loves him and he feels the same, But that's not that pretty As it should be for real. She lives only for him, since this feeling came, But his heart is too briery, Too hurt to be healed. And there comes the time That he will swear to smooth his blame: "Babe, it will not happen again, Sorry for making you cry." But his deep blue eyes, his deep blue lies, He may not be that guilty, he believes them too... But with just deep blue lies, those deep blue nights Can't be fixed anymore, with an "I love you".

Castelo de Areia

Para este advento, trago o nome de meu colega, Ernani , que uma noite ensinou-me sobre Castelos de Areia.. Vem aqui minha acepção, quase uma deterioração do que ouvi. As palavras “sonho destruído”, diante do declínio, marcaram-me, porém, é a única vez em que aparecerão aqui. Sinto-me pesada... Eu não poderia definir melhor um Castelo de Areia. Castelos de Areia são, essencialmente, Castelos de Areia. Nada mais. Necessito abrigo. Abrigo não tenho. Conforto-me então na tarefa de construí-lo, consola-me. Mas, areia tão frágil e dona de fortalezas tão tênues que o vento pode abarcar, que um pisar pode marcar, que uma palavra pode assolar.. E então o que era abrigo, mata. Sigo porém, como não houvesse outra maneira de seguir, neste ciclo de armar e tombar, de construção e queda. O que dói, mais do que assistir descambar minha labuta, é crer, toda vez, que o Castelo que construo perdurará... Sinto-o tão logo sobre meus ombros. Tenho em mim o que poderia servir-me de base, apoio para min...
Vejo-os esfregando as faces no vidro cortante, deformando-as mais e mais... Clamam meu nome. Vêm e vão, caem e urram.. Como a chuva. Como esta noite, enquanto espero por ti. E essas garras.. Posso quase senti-las em mim, somente em vê-las querendo cortar, a mim... E esses olhos, ávidos, ferais, se houvesse como livrar-me deles, agora ! Ah, este meu assombro... Silenciam: não se vão, porém, se para eles não olhar, não os perceberei - então te espero... Tão somente, espero. E calo-me, pra não doer mais. Sei que vai, se não o fizer. Não vou dizer, pra não fazer sofrer...

"Por toda minha vida, eu vou..."

Confia-me tuas mágoas, despropositalmente. Promessas, amigas convenientes dessas horas difíceis assim. Fazem-nos ficar, quando devemos ir. Quando tudo o que poderia nos dar.. Qualquer algo que parecesse felicidade, levam-no para longe e, de qualquer forma, percebemos que já não é, este.. "Tal algo" o bastante. E que nunca fora. Lamentável conhecer a desventura para somente desfrutá-la, remoendo em agonia a época ignorante.
Leaving incomplete to you, This "I can't stay"; Leaving the truth intrinsic, sick, This "I must go away". It's never as it seems, Never as should be. It's never what I mean: It's never you and me. Perhaps, sir, go out Can be better, somehow. Perhaps, sir, can be an absurd. Perhaps, sir, it's a funny word.